História do Comércio |
Conheça um pouco sobre a história do comércio de Caruaru
Comércio de Caruaru: uma história que se confunde com o surgimento da cidade
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| A Feira de Caruaru era realizada na antiga Rua da Frente e movimentava todo o comércio, em 1923 (Foto: Acervo Ceped/Fafica) | Trecho da antiga Rua da Frente ou Rua do Comércio, hoje Rua 15 de Novembro |
Uma história que se confunde com a própria fundação de Caruaru. Assim é o comércio, segmento do qual se tem registro muito antes que Caruaru fosse elevada à categoria de cidade, em 1857. Antes de se tornar Vila, e posteriormente cidade, a Fazenda Caruru já era ponto de convergência para os tropeiros e demais moradores das terras circunvizinhas. A posição estratégica aliada à construção da Capela de Nossa Senhora da Conceição por José Rodrigues de Jesus foram dois fatores essenciais para que as primeiras formas de comércio começassem a surgir. “A Fazenda Caruru se tornou muito cedo um ponto para o qual convergiam criadores de gado, caixeiros viajantes, mascates, como também compradores de couro e estivas”, relata o historiador Veridiano Santos.
Por trás da Igreja da Conceição, considerado o Marco Zero de Caruaru, foram construídas as primeiras casas, que se tornariam os primeiros pontos comerciais da cidade. “Ao lado da Igreja existia uma grande lagoa, onde os rebanhos eram colocados para beber água. As pessoas que vinham acompanhar esses rebanhos começaram a procurar um local para repousar e daí iniciar as primeiras feiras de gado”, explica o empresário Ivan Galvão, que se tornou um pesquisador da história de Caruaru.
As localizações mais próximas da igreja serviram de palco para a construção dos primeiros barracões para venda de víveres e material para os animais. As casas comerciais possuíam uma diversidade atrativa de produtos, voltados principalmente para a subsistência, não existindo ainda lojas de produtos específicos, característica marcante no comércio da época.
O comércio se desenvolveu ao redor da Igreja da Conceição, na chamada Rua da Frente, ou Rua do Comércio, hoje conhecida por Rua 15 de Novembro. As lojas tinham à frente os próprios moradores da cidade. “O comércio era genuinamente composto por pessoas de Caruaru. A partir da década de 1970, esse perfil mudou e o comércio cedeu espaço para lojas de outras cidades”, comenta o empresário Paulo Casé, filho de Adjar Casé, comerciante que manteve a loja A Graciosa, no período entre 1932 até 2000, voltada para o segmento de variedades.
Os negócios começaram a se expandir e chegaram à Rua Duque de Caxias, Rua São Sebastião, antiga Rua Afonso Pena (hoje conhecida por Vigário Freire), até mesmo no setor dos Guararapes. “As lojas dos Guararapes formavam o maior comércio de estivas do Norte e Nordeste, na década de 1970”, acrescenta Paulo Casé.
O Centro comercial também foi palco de grandes acontecimentos, como um comício realizado por Getúlio Vargas, em 1953, que levou às ruas da cidade uma multidão de pessoas. Além disso, na década de 1960, o Armazém do Norte iniciou um novo serviço para atrair a clientela, distribuindo sorvete e café para os compradores, totalmente gratuito. A novidade foi destaque em toda a região.
Até hoje a atividade comercial sempre é um elemento propulsor da economia de Caruaru, gerando mais de 16 mil empregos no setor. “Em muitos momentos da história de Caruaru, a atividade comercial provocou surto populacional e ofereceu muitas oportunidades. A história do comércio em Caruaru constitui um capítulo fascinante da própria história da cidade que ainda não foi narrado”, observa o historiador Veridiano Santos.
Livraria Estudantil: resistência ao tempo
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| A Livraria Estudantil mantém a tradição no comércio de Caruaru até hoje |
De todas as lojas do comércio de Caruaru, uma das mais antigas ainda hoje em funcionamento é a Livraria Estudantil. Fundada em 1942 por Severino Galvão Cavalcanti, funcionava no antigo beco do Major Sinval, local que atualmente recebe o nome da livraria. “Meu pai era de Timbaúba e recebeu um convite de Raimundo Ferreira, amigo dele, para visitar Caruaru. Depois de conhecer a cidade, os dois decidiram abrir a livraria”, recorda o empresário Ivan Galvão, filho do fundador da livraria e um dos que deram continuidade à empresa.
Em 1950, a Estudantil passou a funcionar na Rua Duque de Caxias, onde permanece até hoje. A empresa chegou a ser revendedora da Revista O Cruzeiro, que era o carro-chefe de vendas da livraria. “Proporcionalmente, Caruaru vendia mais revistas do que Recife. Os caruaruenses faziam fila na porta da livraria para comprar a revista”, observa Ivan Galvão.
Severino Galvão, conhecido como Dr. Galvão, expandiu seus negócios com a aquisição da Tipografia Leite e Silva, que funcionava na Rua Vigário Freire. A Livraria Estudantil também era um ponto de encontro para médicos, jornalistas, professores e escritores entre as décadas de 1950 e 1960. “Muitos profissionais quando encerravam seus expedientes se encontravam na esquina da Estudantil para conversar as novidades da época. Entre eles estavam Nelson Barbalho e Lício Neves”, recorda Galvão.
Comércio e Festa: uma parceria antiga
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| A Festa do Comércio marcou a tradição dos festejos natalinos no século XX (Arquivo Ivan Galvão) | A Festa do Comércio, em 1957, celebrou a comemoração do centenário de Caruaru (Foto Pissica) |
A Festa do Comércio durante anos movimentou o Centro de Caruaru. Realizada ao redor da Igreja da Conceição, tinha como objetivo lembrar o nascimento de Jesus no mês de dezembro. Segundo os registros históricos, a comemoração teria iniciado em 1800, ainda quando José Rodrigues de Jesus, fundador de Caruaru, já tendo transformado a fazenda em povoado, resolvera realizar, na Capela da Conceição, a comemoração natalina.
Os festejos eram o maior acontecimento sócio-religioso da região e reunia novenário com a alegria da zabumba, reisado, entre outros. Em 1820, com a morte de José Rodrigues, a festa recebeu o nome de “Festa do Caruru”. Ao torna-se vila, Caruaru mais uma vez deu outra denominação à festa, chamando-a de “Festa da Mãe de Deus”, sendo assim chamada até o fim do século XIX.
No século XX, a comemoração passou a ser “Festa da Conceição”. Com a chegada do primeiro bispo de Caruaru, Dom Paulo Hipólito de Souza Libório, em 1949, ele tenta sem sucesso mudar o nome para “Festa de Ação de Graças”. Em 1950, a Igreja não foi mais iluminada como nos anos anteriores e a festa funcionou apenas com a parte de bandas e barracas. É dessa época que surge a denominação “Festa do Comércio”, já que o apoio e a participação dos comerciantes foram fundamentais para a comemoração. Os festejos do comércio, no Centro da cidade, duraram até o fim da década de 1990 e marcaram uma época.
A Farmácia Francesa: mais que um negócio
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| A Farmácia Francesa foi a primeira “casa de remédios” de Caruaru | O Major Sinval ficou conhecido pelo seu estilo peculiar de atender os clientes |
Falar sobre o comércio de Caruaru e não citar a Farmácia Francesa seria uma injustiça. A Farmácia foi a primeira “casa de remédios” instalada no município. Na década de 1850, a cidade sofria com um surto da Cólera Morbus e o enfermeiro francês Jean Bertholemy Pegot veio ajudar a tratar as vítimas da doença. Sete anos depois de instalado no município, Pegot fundou a Farmácia Francesa em um prédio voltado para a Rua da Frente ou Rua do Comércio. Seu filho adotivo, Sinval de Carvalho, mais tarde conhecido como Major Sinval, desde cedo começou a trabalhar na farmácia, e depois da morte do francês, dedicou-se à Farmácia Francesa por mais de 70 anos. Sinval era poeta e ficou conhecido pelo seu estilo peculiar de receber a clientela. Ele morreu na década de 1970 e deixou seu nome registrado na história.
Pesquisa e Reportagens:
Diego Martinelly (DRT/PE 3707)
Iraê Mota (DRT/PE 3704)
Fotos:
Acervo pessoal dos empresários Ivan Galvão e Paulo Casé
Acervo Ceped/Fafica